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Camaradas!
A sociedade contemporânea fundamenta-se toda na exploração das amplas massas da classe operária por uma minoria insignificante da população, pertencente às classes dos proprietários agrários e dos capitalistas.
Esta sociedade é escravista, pois os operários “livres”, que trabalham toda a vida para o capital, só “têm direito” aos meios de subsistência que são necessários para manter os escravos que produzem o lucro, para assegurar e perpetuar a escravidão capitalista. A exploração econômica dos operários causa e gera inevitavelmente todos os tipos de opressão política, de humilhação social, de embrutecimento e obscurecimento da vida moral e espiritual das massas.
A religião é uma das formas de opressão espiritual que pesa em toda a parte sobre as massas populares, esmagadas pelo seu perpétuo trabalho para outros, pela miséria e pelo isolamento. Àquele que toda a vida trabalha e passa miséria a religião ensina a humildade e a paciência na vida terrena, consolando-o com a esperança da recompensa celeste.
Nas últimas semanas a imprensa popular noticiou que a camarada ex-guerrilheira marxista-leninista e atual ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, visitou o adro da Igreja do Bonfim em Salvador (toda vestida de branco, dentro dos preceitos do Candomblé na sexta-feira baiana, consagrada a oxalá). A camarada participou também de um culto da Igreja Assembléia de deus em comemoração ao aniversário do “líder religioso” presidente daquela instituição.
Alguns camaradas afirmam que o Partido agiu incorretamente ao delegar à camarada Dilma mais esta tarefa de infiltração. Outros tiram desses fatos a conclusão de que a camarada se vendeu para os comerciantes do ópio do povo.
Camaradas, a missão de Dilma terá efeito duradouro. Dissemo-vos, irmãos, na eleição do camarada Luiz Inácio, que os pastores e padres que nos apoiaram em 2002 e 2006 em breve iriam ceder à dominação e que imediatamente virariam o seu recém-conquistado poder contra o povo.
É evidente que o papel que estes burgueses desempenharam perante o povo em 2002 e 2006, esse papel tão traiçoeiro, será assumido, na eleição que se avizinha, pelos atuais “ministros do evangelho” pequeno-burgueses, que ocupam agora na oposição o mesmo lugar que os burgueses das eleições passadas. Pergunta-se, pois, qual vai ser, perante esse quadro, a posição do proletariado.
No momento presente, em que a burguesia clerical está desatenta, devemos passar a imagem que o “governo Lula defende os valores cristãos”. Sabemos, no entanto, que tal união resultaria apenas em proveito do ópio do povo e em completo desproveito do proletariado.
Quão pouco séria é, para a aristocracia clerical, uma aliança em que os proletários estejam lado a lado com eles. Eles atacam furiosamente os operários organizados autonomamente, a quem intitulam de “massa de manobra”.
Por isso, quando a camarada Dilma for eleita, em vez de condescender uma vez mais em servir aos fascistas clericais, deveremos opor-se enérgica e ameaçadoramente a este grupo ideológico, cuja traição aos operários começará desde a primeira hora da vitória.
Camaradas, também é evidente que a religião é o ópio do povo. A verdadeira felicidade do povo implica que a religião seja suprimida, enquanto felicidade ilusória do povo. A religião é apenas um sol fictício que se desloca em torno do homem enquanto este não se move em torno de si mesmo.
O ópio do povo deve ser declarado um assunto privado - com estas palavras exprime-se habitualmente a atitude dos socialistas em relação à religião. Mas é preciso definir com precisão o significado destas palavras para que elas não possam causar nenhum mal-entendido. Um “assunto privado” é como uma “empresa privada”. Não passa de mais um sintoma maligno das velhas relações de propriedade da corrupta e infame sociedade capitalista.
Exigimos que a religião seja um assunto privado em relação ao Estado, mas não podemos de modo nenhum considerar a religião um assunto privado em relação ao nosso próprio Partido popular. O Estado não deve ter nada a ver com a religião. Cada um deve ser absolutamente livre, isto é, ser ateu, coisa que todo o socialista decente geralmente é.
Em relação ao partido do proletariado socialista a religião não é um assunto privado. O nosso partido é uma associação de combatentes conscientes e de vanguarda pela libertação da classe operária. Essa associação não pode e não deve ter uma atitude indiferente em relação à inconsciência, à ignorância ou ao obscurantismo sob a forma de crenças religiosas.
O nosso programa assenta todo numa concepção do mundo científica, a saber, a concepção marxista, isto é, uma concepção do mundo materialista. A explicação do nosso programa inclui por isso necessariamente também a explicação das verdadeiras raízes históricas e econômicas do anacronismo religioso.
A nossa propaganda inclui também necessariamente a propaganda do ateísmo e a edição da correspondente literatura científica. Teremos agora de seguir o conselho que Friedrich Engels uma vez deu aos socialistas alemães: traduzir e difundir maciçamente a literatura iluminista e ateísta francesa do século XVIII.
"Dos operários social-democratas alemães pode mesmo dizer-se que, entre eles, o ateísmo já fez a sua época; esta palavra puramente negativa já não tem para eles qualquer aplicação, uma vez que eles já não estão mais numa oposição teórica à fé em deus, mas numa oposição prática: eles desembaraçaram-se simplesmente de deus, pensam e vivem no mundo real e são, portanto, materialistas. Isto também é bem o caso em França. Mas, se não for, não haveria nada de mais simples do que velar por que a magnífica literatura materialista francesa do século passado seja propagada em massa entre os operários, essa literatura em que o espírito francês, segundo a forma e o conteúdo, até hoje realizou o seu máximo e que — considerando o estado da ciência de então —, pelo conteúdo, ainda hoje está infinitamente alto e, pela forma, não voltou a ser alcançada" (Friedrich Engels, Programa dos Refugiados Blanquistas da Comuna, cf. http://www.marx.org/portugues/marx/1874/06/26.htm )
Camaradas, lutamos e continuamos a lutar seriamente contra a religião. A forma mais rígida da antítese entre o socialismo e o capitalismo é a antítese religiosa. Como se resolve uma antítese? Tornando-a impossível. E como se torna impossível uma antítese religiosa? Abolindo, suprimindo, extinguindo a religião.
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Comentários
Você vão arder no inferno!
Será como um ráio em pleno dia de verão!
Podem rir seus direitistas insignificantes !
Prezado camarada companheiro de fé. Pergunto? Se a religião é o ópio do povo, como pode a voz do povo ser a voz de Deus! Então o povo não existe! A doutrina de Deus é a do povo e então Deus e o povo são a mesma coisa que não existe? E como é que pode que nunca antes na história desse país, que tenho certeza, porque todo mundo bate palma e o IBOP diz, começou comigo, Deus que é brasileiro, porque eu sou, e bem legal, falava latim e não brasileiro como eu? Será que eu sou o ópio do povo que não existo?
Proletário não fuma ópio, fuma maconha !!!
Tche quer Vara
Se sua indignação fosse séria, "até seria engraçada"...
Não agüentava mais ter que ler notícia na Veja e em O Globo. Agora sim tenho um veículo de primeira com notícias do jeito que "agente" queria "ouvir".
Obrigado!!! Mas num entendi esse negoço de "Ópio du povo"...
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