Comentário Popular
Sábado Abril 25, 2015

Dilma Rousseff e Ópio do Povo

Camaradas!

A sociedade contemporânea fundamenta-se toda na exploração das amplas massas da classe operária por uma minoria insignificante da população, pertencente às classes dos proprietários agrários e dos capitalistas.

Esta sociedade é escravista, pois os operários “livres”, que trabalham toda a vida para o capital, só “têm direito” aos meios de subsistência que são necessários para manter os escravos que produzem o lucro, para assegurar e perpetuar a escravidão capitalista. A exploração econômica dos operários causa e gera inevitavelmente todos os tipos de opressão política, de humilhação social, de embrutecimento e obscurecimento da vida moral e espiritual das massas.

A religião é uma das formas de opressão espiritual que pesa em toda a parte sobre as massas populares, esmagadas pelo seu perpétuo trabalho para outros, pela miséria e pelo isolamento. Àquele que toda a vida trabalha e passa miséria a religião ensina a humildade e a paciência na vida terrena, consolando-o com a esperança da recompensa celeste.

Nas últimas semanas a imprensa popular noticiou que a camarada ex-guerrilheira marxista-leninista e ex-ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, visitou o adro da Igreja do Bonfim em Salvador (toda vestida de branco, dentro dos preceitos do Candomblé na sexta-feira baiana, consagrada a oxalá). A camarada participou também de um culto da Igreja Assembléia de deus em comemoração ao aniversário do “líder religioso” presidente daquela instituição.

Alguns camaradas afirmam que o Partido agiu incorretamente ao delegar à camarada Dilma mais esta tarefa de infiltração. Outros tiram desses fatos a conclusão de que a camarada se vendeu para os comerciantes do ópio do povo.

Camaradas, a missão de Dilma terá efeito duradouro. Dissemo-vos, irmãos, na eleição do camarada Luiz Inácio, que os pastores e padres que nos apoiaram em 2002 e 2006 em breve iriam ceder à dominação e que imediatamente virariam o seu recém-conquistado poder contra o povo.

É evidente que o papel que estes burgueses desempenharam perante o povo em 2002 e 2006, esse papel tão traiçoeiro, será assumido, na eleição que se avizinha, pelos atuais “ministros do evangelho” pequeno-burgueses, que ocupam agora na oposição o mesmo lugar que os burgueses das eleições passadas. Pergunta-se, pois, qual vai ser, perante esse quadro, a posição do proletariado.

No momento presente, em que a burguesia clerical está desatenta, devemos passar a imagem que o “governo Lula defende os valores cristãos”. Sabemos, no entanto, que tal união resultaria apenas em proveito do ópio do povo e em completo desproveito do proletariado.

Quão pouco séria é, para a aristocracia clerical, uma aliança em que os proletários estejam lado a lado com eles. Eles atacam furiosamente os operários organizados autonomamente, a quem intitulam de “massa de manobra”.

Por isso, quando a camarada Dilma for eleita, em vez de condescender uma vez mais em servir aos fascistas clericais, deveremos opor-se enérgica e ameaçadoramente a este grupo ideológico, cuja traição aos operários começará desde a primeira hora da vitória.

Camaradas, também é evidente que a religião é o ópio do povo. A verdadeira felicidade do povo implica que a religião seja suprimida, enquanto felicidade ilusória do povo. A religião é apenas um sol fictício que se desloca em torno do homem enquanto este não se move em torno de si mesmo. (Cf. Karl Marx - Introdução à Crítica da Filosofia do Direito de Hegel)

O ópio do povo deve ser declarado um assunto privado - com estas palavras exprime-se habitualmente a atitude dos socialistas em relação à religião. Mas é preciso definir com precisão o significado destas palavras para que elas não possam causar nenhum mal-entendido. Um “assunto privado” é como uma “empresa privada”. Não passa de mais um sintoma maligno das velhas relações de propriedade da corrupta e infame sociedade capitalista.

Exigimos que a religião seja um assunto privado em relação ao Estado, mas não podemos de modo nenhum considerar a religião um assunto privado em relação ao nosso próprio Partido popular. O Estado não deve ter nada a ver com a religião. Cada um deve ser absolutamente livre, isto é, ser ateu, coisa que todo o socialista decente geralmente é.

Em relação ao partido do proletariado socialista a religião não é um assunto privado. O nosso partido é uma associação de combatentes conscientes e de vanguarda pela libertação da classe operária. Essa associação não pode e não deve ter uma atitude indiferente em relação à inconsciência, à ignorância ou ao obscurantismo sob a forma de crenças religiosas.

O nosso programa assenta todo numa concepção do mundo científica, a saber, a concepção marxista, isto é, uma concepção do mundo materialista. A explicação do nosso programa inclui por isso necessariamente também a explicação das verdadeiras raízes históricas e econômicas do anacronismo religioso.

A nossa propaganda inclui também necessariamente a propaganda do ateísmo e a edição da correspondente literatura científica. Teremos agora de seguir o conselho que Friedrich Engels uma vez deu aos socialistas alemães: traduzir e difundir maciçamente a literatura iluminista e ateísta francesa do século XVIII.

"Dos operários social-democratas alemães pode mesmo dizer-se que, entre eles, o ateísmo já fez a sua época; esta palavra puramente negativa já não tem para eles qualquer aplicação, uma vez que eles já não estão mais numa oposição teórica à fé em deus, mas numa oposição prática: eles desembaraçaram-se simplesmente de deus, pensam e vivem no mundo real e são, portanto, materialistas. Isto também é bem o caso em França. Mas, se não for, não haveria nada de mais simples do que velar por que a magnífica literatura materialista francesa do século passado seja propagada em massa entre os operários, essa literatura em que o espírito francês, segundo a forma e o conteúdo, até hoje realizou o seu máximo e que — considerando o estado da ciência de então —, pelo conteúdo, ainda hoje está infinitamente alto e, pela forma, não voltou a ser alcançada" (Friedrich Engels, Programa dos Refugiados Blanquistas da Comuna, cf. http://www.marx.org/portugues/marx/1874/06/26.htm )

Camaradas, lutamos e continuamos a lutar seriamente contra a religião. A forma mais rígida da antítese entre o socialismo e o capitalismo é a antítese religiosa. Como se resolve uma antítese? Tornando-a impossível. E como se torna impossível uma antítese religiosa? Abolindo, suprimindo, extinguindo a religião.

 

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